Há chefias que trabalham mais horas do que toda a equipa e, ainda assim, sentem que nada acontece sem a sua intervenção.

Confirmam mensagens, revêm documentos, aprovam decisões pequenas e intervêm em problemas que deveriam ser resolvidos perto de onde surgem. À primeira vista, parecem líderes muito dedicados. Mas dedicação e qualidade do sistema de decisão não são a mesma coisa.

Quando uma equipa precisa constantemente da autorização da mesma pessoa, pode existir um problema de confiança. Também pode existir uma ausência de critérios, limites mal definidos ou informação insuficiente. Chamar a tudo «microgestão» descreve parte do fenómeno, mas não ajuda necessariamente a compreender a sua origem.

A autonomia começa antes da delegação.

Uma pessoa não ganha verdadeira autonomia apenas porque lhe dizem «faz como achares melhor». Precisa de compreender o resultado esperado, quais decisões pode assumir, em que situações deve envolver alguém e como será avaliada a qualidade do seu trabalho. Sem essa clareza, aquilo que parecia liberdade pode tornar-se abandono.

Também é necessário distinguir decisões que exigem coordenação de decisões que podem ser tomadas sem validação adicional. Se todas seguem o mesmo circuito de aprovação, a organização coloca a atenção da liderança onde ela acrescenta menos valor e atrasa a resposta da equipa.

O controlo excessivo tem um custo que não aparece no calendário.

Quando cada escolha precisa de subir na hierarquia, as pessoas aprendem a esperar em vez de desenvolver julgamento. O líder recebe mais interrupções e tem menos tempo para trabalho estratégico. O sistema fica aparentemente protegido de erros, mas torna-se mais lento, dependente e vulnerável à ausência de quem aprova.

Reduzir controlo não significa ignorar risco. Significa definir em que momentos a supervisão é necessária, criar espaços de aprendizagem e tornar explícitas as consequências de uma decisão. A responsabilidade continua a existir, mesmo quando a decisão deixa de estar concentrada numa única pessoa.

Uma liderança sólida torna-se menos indispensável à rotina.

Vale a pena observar o que acontece quando o líder não está disponível. A equipa sabe quais prioridades prevalecem? Consegue discutir erros sem receio de humilhação? Tem informação suficiente para decidir? A resposta vale mais do que proclamações sobre confiança e empoderamento.

O Teu Próximo Passo desenvolve uma leitura do trabalho que inclui a relação entre autoridade, liderança, condições de decisão e cultura. Para quem lidera, a questão não é apenas como conseguir melhores resultados. É que condições devem existir para que esses resultados não dependam de controlo permanente.

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Sofia Manso · Autora de O Teu Próximo PassoConhecer o livro e escolher livraria ↗